Bambu, uma planta carregada de cultura e simbologias…

Olá Amigos, bem vindos ao Jardim!

Uma planta carregada de cultura

É desta forma que podemos descrever o bambu, cuja presença e funções se revelaram essenciais na vida de milhares de milhões de homens, espalhados pelos mais diversos pontos do mundo. Embora a Ásia seja justamente considerada o habitat por excelência do bambu, não se deve esquecer a América Central e América do Sul, regiões nas quais o bambu nunca foi objeto de uma veneração tão fervorosa, mas cujas funções utilitárias já eram valorizadas no tempo dos Incas.

Na China, o bambu faz parte integrante da tradição e da cultura nacionais, funcionando como veículo de transmissão desta cultura, na sua dupla qualidade   de instrumento e suporte da escrita. Não eram apenas os pincéis dos calígrafos que eram feitos de bambu. Também as pequenas placas que recebiam a tinta, se obtinham da mesma planta. Os primeiros livros eram compostos de finas placas de bambu, artisticamente unidas umas às outras. E foi igualmente na China, no início do segundo século depois de Cristo, que surgiria a idéia de fabricar papel a partir de fibras vegetais do bambu.

O pincel do calígrafo é quase sempre feito de bambu, à exceção da ponta, impregnada de tinta, com a qual de desenham os ideogramas, constituída por pêlos de animal. Mas o papel do bambu na arte chinesa não se limita à caligrafia, constituindo um tema onipresente na pintura. Em “The Book of Bamboo”, David Farrelly não hesita em comparar a sua importância no Oriente à do corpo humano nas artes plásticas e gráficas do mundo ocidental, “o bambu é o verdadeiro modelo humano para o oriental”.

O bambu ilustra frequentemente a concepção taoísta, segundo a qual, se deve ceder às condicionantes externas para melhor triunfarmos na vida. É a imagem do bambu que se verga sob a fúria da tempestade, para em seguida voltar a erguer-se, surgindo em todo o seu esplendor. Para os budistas, a planta encontra-se também dotada de uma enorme carga simbólica. Designam-na por a “benção de Buda”. Buda, ou, mais precisamente, Siddharta Gauthama, que viveu no século VI antes de Cristo, afirmava que o bambu ajuda o homem a alcançar a serenidade e a paz interior. O próprio Siddharta, ao pressentir a chegada da morte, ter-se-ia retirado para um bosque de bambus.

Também no Japão, a arte fervilha de referências ao bambu. No cerimonial do chá, que se desenvolveu sobretudo ao longo do século XV, o bambu ocupa lugar de maior destaque. Dele se obtêm utensílios indispensáveis à preparação da bebida, como uma espécie de vassoura de cana, fendida em cento e vinte lâminas, com a qual se bate o chá. Esse lento e ritualizado cerimonial, permite que os participantes reencontrem a harmonia que une os seres vivos e os elementos, o equilíbrio e a paz interior. Trata-se de verdadeiras sessões anti-stress de que muitos ocidentais retirariam sem dúvida o maior proveito…

O Simbolismo do bambu

Para os chineses, o bambu simboliza a humildade e a modéstia, e ainda a juventude perpétua (provavelmente, em virtude da sua folhagem sempre verde e da sua enorme longevidade). O bambu representa também a velhice plenamente válida, uma clara referência aos caules que, nascidos há poucos meses ou velhos de vários anos, têm um aspecto totalmente idêntico. Símbolo da alegria, o bambu é também um emblema da paz e da serenidade, da felicidade e da fruição da vida, da elegância, da constância e da obstinação. Os vietinamitas consideram o bambu “irmão do homem”. No Japão, juntamente com a ameixieira ornamental e o pinheiro, o bambu integra o grupo dos “três amigos”presentes em todas as decorações que tradicionalmente assinalam o Ano Novo.

Também nas cerimônias religiosas, particularmente nas cremações (sobretudo na Indonésia) recorre-se ao bambu. Outras espécies são particularmente procuradas para estes fins (como a Schizostachyum brachycladum, por exemplo). Antigamente na China, faziam-se estourar bambus lançando-os às fogueiras. Acreditava-se que o ruído provocado pela explosão dos entrenós espantava os maus espíritos, fazendo  com  que os deuses pudessem atender as preces e aceitar os sacrifícios que lhes eram dirigidos. Aliás, foi com base neste estampido que os malaios obtiveram a palavra bambu. O estalido seco produzido pelas paredes da cana, ao explodirem sob o efeito da pressão de ar contido entre os nós, assemelha-se a um “bam!” O buhuhu resulta do lento escapar do ar interior…

O bambu chega mesmo a inspirar preceitos éticos para uma linha de conduta: “Faz com que a tua vida seja pura e reta como uma flauta de bambu”(R.Tagore). Mas a planta pode também servir para descrever o caráter de uma pessoa. No Japão, ter-se o “espírito do bambu” significa sabermos nos adaptar às situações, sem nos mantermos rígidos, mas sim flexíveis, frente às vicissitudes com que nos deparamos, sabendo curvarmo-nos, para mais tarde sairmos incólumes e vitoriosos de situações difíceis. Os chineses comparam-se ao bambu, e tal como o bambu, também se dobram sob o peso do seu destino. E, nesse sentido, nem as maiores desgraças são capazes de o fazer quebrar.

Embora o bambu, não tenha penetrado na cultura ocidental, podemos dizer que as portas já se encontravam entreabertas. Thomas Jefferson afirmava que “a maior homenagem que se pode prestar a uma cultura é introduzir uma planta nova na sua agricultura“. E não restam dúvidas de que o bambu nos pode prestar inúmeros serviços, à medida que formos acolhendo nos nossos jardins e o assimilarmos na nossa agricultura.

No Japão, os Santuários Shintoístas e Templos Budistas costumam ser envolvidos por uma floresta de bambus que acreditam ser uma barreira sagrada contra o mal. Uma das características mais impressionantes do bambu na floresta é sua flexibilidade. O corpo do bambu não é grande comparado a outras árvores da floresta, e a primeira vista não impressiona. Eles podem alcançar as alturas das demais árvores, mas essas plantas suportam condições climáticas extremas e muitas vezes são as únicas árvores a permanecer de pé diante de um tufão.

O bambu não é frágil quanto parece. E, nesse sentido, devemos ter cuidado para não subestimar algo que parece fraco, baseado apenas nas aparências ou velhas convicções. Às vezes, somos surpreendidos quando pessoas que julgávamos fracas, obtêm grande sucesso. É necessário acreditar na força interior que existe em cada um.

Ao contrário de outros tipos de madeira que necessitam de uma boa dose de processamento e acabamento, o bambu já nasce praticamente pronto. Um guerreiro, como o bambu, está sempre preparado para a ação. na vida profissional o bambu nos ensina que precisamos estar constantemente atrás de treinamento e praticar tudo o que estudamos, e assim desenvolver a nossa própria maneira de estar em um estado de sempre alerta.

Dizem que para aprender, o primeiro passo é esvaziar a mente de velhos preconceitos arraigados. Do mesmo modo que não se pode encher um copo que já está cheio, o conhecimento só é absorvido por aqueles que estão abertos ao que é novo e diferente. Esvaziar a mente de preconceitos, orgulho e medo é abrir espaço para novas possibilidades.

O bambu está entre as plantas que mais crescem no mundo, mas nós não percebemos o seu crescimento no dia a dia. O mesmo ocorre com as pessoas, muitas vezes nos esforçamos, mas não vemos progressos. Assim como o bambu cresce mais rápido nas estações chuvosas, as pessoas também costumam ter ciclos de crescimento em determinadas “estações”, e ser mais lentos em outras. Muitas vezes, esse crescimento não é percebido e tendemos a achar que nada mudou. Não importa quem ou de onde a pessoa veio, todos tem um potencial de crescimento. O importante é nunca desistir. O crescimento pessoal não costuma ser percebido no dia a dia. Mas quando olhamos para trás, vemos o quanto crescemos e progredimos.

O mestre de Aikido “Kensho Furuya” diz que “O bambu em sua simplicidade expressa a sua utilidade. O homem deve fazer o mesmo”. Gastamos muito tempo tentando mostrar como somos inteligentes, talvez para convencer os outros e a nós mesmos que somos dignos de atenção e elogios. Muitas vezes complicamos o simples para impressionar e não somos capazes de simplificar o complexo. A vida por si só já é complicada o suficiente sem a nossa intervenção. E muitas vezes, o medo de parecermos muito simplórios nos impede de encontrarmos soluções criativas para resolvermos os problemas do dia a dia.

Além de todas as dádivas vitais, através da observação da Natureza, podemos nos inspirar, produzir e tirar grandes ensinamentos filosóficos. Cada componente da Natureza pode ser usado como um exemplo, assim como o bambu. Através desses exemplos, temos oportunidades de refletirmos sobre nossas atitudes e entender que nossas vidas também seguem seu ciclo natural, e que ao longo dela, podemos sempre nos tornar melhores…

Abraços,

Sejamos Felizes!

Fontes: Livro Bambus – Yves Crouzet – Jardimoriental.blogspot – Imagens: Web

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